quarta-feira, 1 de abril de 2009

Uma cidade, dois mundos

Heliópolis, apesar do nome ilustre (a palavra, de origem grega, significa cidade de Hélio, o deus do sol), é talvez a maior favela de São Paulo. Situada na zona sul da cidade, ocupa mais de um milhão de metros quadrados e tem perto de cem mil habitantes. Parte dela é contituída de modestas casas de alvenaria, amontoadas umas sobre as outras, cortadas por ruelas, onde o lixo se amontoa e o esgoto corre a céu aberto.

Outra parte é composta por barracos de madeira compensada, papelão e pedaços de plástico. Enfim, de qualquer tipo de material ou sucata facilmente encontrável junto das fábrica da Grande São Paulo ou mesmo em qualquer terreno baldio usado irregularmente como depósito de lixo. É nessa cidade dentro da cidade que se comprimem indivíduos atingidos pela miséria: migrantes e mesmo gente de São Paulo, que o subemprego e o desemprego atiraram para esse verdadeiro formigueiro.

Em Heliópolis, encontra-se todo tipo de pessoa: catadores de papel, empregadas domésticas, vigilantes e segurança de empresas, operários com pouca qualificação, malandros, etc. Gente que trabalha 24hrs mas que, mesmo assim, tem muito pouco para viver.

Contrastando com a favela de Heliópolis, na zona oeste de São Paulo, localiza-se o bairro do Morumbi, cujo nome, de origem tupi-guarani, significa ´´morro verde``. Arborizando, com muitas praças e jardins, é uma das regiões mais valorizadas da capital. Seus edifícios luxuosos, suas mansões, construídos de materiais nobres, como o concreto aparente, o mármore, protegidos por muros altos, portões eletrônicos,cercas eletrificadas,câmaras eletrônicas e seguranças armados, são verdadeiras fortalezas, onde se refugia a alta burguesia, amedrontada com a violência.

A população do Morumbi é constituida por grande empresários, advogados, médicos, políticos. Muita gente ali, lutou bastante para conseguir o que tem, outros simplesmente se serviram de tudo quanto é expediente, mesmo os ilícitos, para se tornarem bem-sucedidos.

quarta-feira, 25 de março de 2009

De Mãos Atadas - Álvaro Cardo Gomes



Lico tem uma vida difícil. Abandonado pelo pai alcoólatra e pelos irmãos, ele cuida sozinho da mãe doente com quem mora num barraco em Heliópolis (a maior favela da cidade de São Paulo).

Com apenas 16 anos, ele tenta ´´driblar`` a pobreza: cata papel nas ruas, trabalha em uma lotação e vende doces no cruzamento. Mas as oportunidades de trabalho começam a se tornar cada vez mais raro, e o adolescente se desanima ao ver que não tem mais dinheiro para comprar os remédios de sua mãe. Nesse momento ele reencontra Alemão (um amigo de infância que enriqueceu cometendo várias infrações), que lhe propõe parceria em um sequestro. Tendo a possibilidade de ganhar uma enorme quantia de dinheiro no resgate, Lico aceita participar da ação.

O problema é q os reféns, Beto e Rodrigo, são filhos de um empresário em crise econômica que tenta manter o alto padrão de vida de sua família e saldar as dívidas de sua empresa.

Então a violência urbana estende sobre um ´´fosso`` criado pela desigualdade social entre favela e o bairro nobre e mostra q as vítimas estão dos dois lados.